Mortes por acidentes no trânsito em motos é preocupante

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Em pacto firmado junto à ONU, o governo assumiu o compromisso de reduzir até 2020 o número de mortes em relação a 2010 – quando houve 43 mil casos – pela metade. Porém, o descontrole com as motos é obstáculo para reduzir a mortandade no trânsito.

Em 2016, 32% das 37 mil pessoas mortas no trânsito eram motociclistas, número alcançado graças o maior acesso a credito e incentivos à indústria automotiva. Enquanto a frota de motociclistas era pouco mais de 3,5 milhões em 2000, saltou para quase 21 milhões em 2016.

A participação deste tipo de transporte nas vias brasileiras passou de 12% para 22% do total de veículos, ao passo que a de carros caiu de 57% para 55%. Atualmente estados como Maranhão, Piauí e Ceará têm mais de 44% de sua frota composta por motos. Já estados como São Paulo, Rio de Janeiro e DF esse número fica abaixo de 16%.

A educação no trânsito e a a fiscalização não acompanharam esse aumento da frota, a confirmação disso foi o crescimento, de 2000 a 2016, de cerca de 2.500 mortes por ano para mais de 12 mil. O topo do ranking começou a ser ocupado pelos motociclistas em 2009, e segue crescendo a cada ano. As mortes de de motociclistas chegaram a 32% em 2016, ocupantes de carros 24% e pedestres, 21%.

O Ceará foi o estado que demandou o maior número de indenizações do DPVAT por mortes e feridos em acidentes no trânsito. Onde Juazeiro do Norte tem o dobro de indenizações concedidas por habitante na comparação com a capital Fortaleza.

O Sindicato de Autoescolas do Ceará critica a falta de fiscalização, para Lauro Duarte, representante da entidade em Juazeiro, há uma forte presença de condutores que atuam sem CNH em vários locais do país. O que, segundo especialistas, explica alguns estados terem vendas de motocicletas muito superiores ao número de habilitados.

O Hospital Regional do Cariri é referência no atendimento de politraumatismo e recebe pacientes de uma área de 45 municípios cearenses. Dos 19 mil atendimentos de emergência de janeiro a setembro de 2018, cerca de 2.500 (ou 13%) são oriundos de acidentes automobilísticos. Desses, 65% são motociclistas, os quais metade não usavam capacete.

Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta que o custo hospitalar de um paciente grave vítima de acidente de trânsito fica em R$ 98 mil. Outros estudos apontam que o país perde anualmente de R$ 19, 3 bilhões a R$ 52 bilhões em gastos hospitalares, previdência e perda de produtividade na economia, com os mortos e acidentados no trânsito.

Outro exemplo do gasto com recursos públicos com acidentes que poderiam ser evitados é a mobilização de médicos, enfermeiros e ambulâncias do Samu – que, principalmente aos finais de semana, vê crescer os casos de acidentes no trânsito, muitos motivados pelo consumo do álcool.

 

 

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